ESTA PÁGINA É ATUALIZADA DIARIAMENTE
ADVERTÊNCIA
Raykorthizo Perez
Dei-lhes um tom rítmico variável, e, com maior razão ainda, uma estrutura silogística e simétrica diferente de todos o poemas que já fiz, caso contrário não poderia expressar-mse da maneira como eu fi-lo.
Estes poemas, são poemas cheios de dores, e, ao mesmo tempo cheios de ânsias e de esperanças e amor, com rutilantes almejos de um verso ideal que contém a minha mais atormentada paixão de poeta, que se mistura com o amor envolvente entre o desejo e a vontade amar.
ESTA PÁGINA É ATUALIZADA DIARIAMENTE
08-03-2015
24-02-2015
_______
__________
_______________
18-02-2015
_______________________________
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
PRIMEIRO SEMESTRE DO ANO DE 1973
Que orgulho sente o homem
o homem que na flor da juventude
para ser um verdadeiro cidadão
vestiu com orgulho e honra
a farda verde-oliva
jurando à Pátria amor
à soberania da Nação
e se preciso fosse
derramar o próprio sangue
dar a própria vida.
Que orgulho sente o homem
o homem que vestido com sua farda
em ordem unida
posição de sentido
sob o comando do instrutor
com respeito e amor cantou
o Hino Nacional
e emocionado contemplou
a bandeira auriverde
tremulando aos beijos do vento
nas carícias e afagos da brisa
com respeito bateu continência.
Que orgulho sente o homem
o homem que vestido em sua farda
no estande de tiro
o fuzil empunhou e mirou
e o gatilho apertou.
Que orgulho sente o homem
o homem vestido em sua farda
no frio e na chuva ou cansado
doente ou suado
fez guarda
com o fuzil empunhado
na guarita foi sentinela.
Que orgulho sente o homem
o homem que vestido em sua farda
sob o comando do instrutor
aprendeu os ensinamentos
de amor à Pátria
ser companheiro leal
amigo sincero
confidente fiel
que honrou a farda
com lágrimas e suor
dignidade e amor.
Que orgulho sente o homem
o homem que vestido em sua farda
teve em seu comandante
o exemplo da decência
o exemplo da honra
o livro do amor
páginas de fé
coragem e bravura
altivez e candura.
Que orgulho sente o homem
o homem que hoje
é tão antigo como os seus pais
tão jovem quanto os seus filhos
ainda se sente o mesmo garoto
de quarenta anos atrás
que amava e continua amando
os Beatles e os Rolling Stones
o homem que hoje
sem estar vestido de sua farda
com saudades dos bons tempos
dos bons companheiros
dos muitos janeiros
que não voltam mais
nunca mais
ainda se arrepia
aos acordes do Hino Nacional
ao ver a nossa Bandeira
tremulando de esperança
na brisa que afaga e balança
Que orgulho sente o homem
o homem que hoje
sem estar vestido em sua farda
com muita emoção
pergunta ao coração
com esperança e fé:
Meus amigos do peito
do lado esquerdo do peito
meus irmão-companheiros
soldados do primeiro semestre
do ano de 1973
por onde andam vocês?
Meus irmãos-companheiros
amigos inesquecíveis
que o tempo não desfez
se até as pedras se encontram
vou encontrar vocês
pelo sentimento único que fomos
pelo sentimento único que somos,
A CANA
O açúcar e o álcool
demonstra a dialética do canavial
queimado, o ex-canavial
meio amarelado
esverdeado
verde forte
mais acentuado
com folhas longas
ásperas feias e bonitas
e amaldiçoadas
com fungicidas, herbicidas,
inseticidas, adubos e venenos
A labareda
azul
vermelha
em negra solidez
queima e destrói a vida da vegetação
o sistema ecológico.
Jaboticabal arde-se no canavial
a vida a vegetação
no fogo assassino
frio criminoso
de imensas chamas
para logo depois
na moagem
como se moessem os sonhos
a esperança e a vida.
______________________________
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
BAIRRO ALTO
O Bairro Alto,
(O do meus tempos de menino, não o de hoje!)
embora pareça separado
e distancie e dificulte,
tem geralmente
a forma de seus moradores:
Humilde, bons e amigos.
Subir passo-a-passo é ruim e penoso,
mas quando se chega lá em cima,
a recompensa vem com o ar respirado,
quando se assenta ao chão.
Meu Bairro Alto,
compõe-se de uma única rua
às vezes é poeria, outras é lama,
buracos, escuridão, medo e solidão.
Varandas com cadeiras,
jardins com flores,
passarinhos cantando,
animais se misturando,
bares com bocha, baralho e bilhar,
futebol no meio da rua,
beti, malha, biroca e bate-rapa.
Ah... meu Bairro Alto
das festas dos Santos Reis,
São João,
São Pedro,
Santo Antonio,
festa até virar freguês.
Meu Bairro Alto
resumo-o e defino-o
na igrejinha de Santo Antonio
bem lá em cima,
bem lá no alto
com o bom santinho
olhando por todos nós
com o menino Jesus em seus braços,
(Até parece que ele diz: você vai se casar!)
cercando o vento,
recolhendo o sol,
espantando o mal,
chamando o bem,
ele, cheio de amor, pousa o seu olhar
nas confidências dos fiéis,
e em nome de Deus
também abençoa os crentes e ateus.
Meu Bairro Alto querido
(o do meus tempos de menino, não o de hoje!),
no vago norte da lembrança,
a minha saudade te rodeia,
só por um instante sou menino, sou criança,
e afetuosamente o meu coração te beija
e brinco sob a sombra da frondosa Jaqueira,
meu Bairro Alto
é borboleta multicores distendida na memória,
voa na alma e mora no meu coração.
____________________________
___________________________________
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2015,
Subindo e descendo,
Vai cortando os caminhos
O caminhão de bóia. fria.
Todos levam em suas mochilas,
Um pouco de comida.
Ninguém fica quieto.
Um briga e outro grita.
A vida é difícil,
Todavia, mais difícil é estar vivo.
Muitas vidas já se sucumbiram,
Em ferros retorcidos
Ensopando a terra fria
De sangue quente.
Assim é a vida do boia fria,
um sobe e desce
cortando os caminhos
No caminhão da vida.
REDUÇÃO
A velha Jaboticabal,
a "Atenas Paulista",
ou "cidade das Rosas",
e "cidade da Música",
reduziu-se, hoje, em vagalumes,
pirilampos saltitantes das noites
sem lumes,
de luas e mistérios,
no engodo das palavras,
na masmorra da velhacaria,
na verdade sufocada,
no interesse pessoal
que silenciou-se entre quatro paredes.
E por isto a cidade perdeu - a vida perdeu,
E a nossa Jaboticabal, reduziu-se.
No princípio
eras apenas paragens
de João Pinto Ferreira
eu canto
eu denuncio o teu falso fausto
de Atenas Paulista
hoje ferida em pedra de poesia
nada mais és que apenas...
não te louvo
amo os teus esconderijos
os escondidos de tuas intimidades
me faz insonioso
os títulos de tuas ruas e avenidas
de nomes doutorais...
só o povo sabe dar nome às coisas:
Rua da Paz
Rua das Flores
Avenida da Felicidade
Praça dos Músicos
Ponte da Amizade
Lago das Rosas.
Formosa foi um local de amores
que o falso progresso destruiu em fúrias
em nome do crescimento/desenvolvimento.
eu denuncio o teu lixo
tua falsa moral
tua fome
tua nódoa
cicatriz navalhada
e a tua face esbofeteada.
eu canto o encanto das morenas
das loiras e das mulatas
e das negra de cabelos trançados
e das meninas que nas piscinas
cobrem apenas a vergonha da nudez.
Não serei o teu poeta oficial
serei o poeta que te ama
e aceita o teu lado sórdido
em o resignado gesto bíblico
de oferecer a outra face.
não te louvo,
eu canto
eu denuncio
o grito dos oprimidos
dos desvalidos
o grito sufocado.
eu denuncio
a nódoa
perambulante que vaga pela cidade
sob o véu da noite
como vampiros
eu denuncio
os malfeitores do teu corpo
a presença faminta de mãos ambulantes
em tuas ruas.
eu denuncio
a tua náusea
o ódio
e o tédio
a inércia.
eu canto
não te louvo
amo as tuas esquinas
onde o vento modela
a nádegas de tuas mulheres.
cantarei
a tua liquida claridade
e os verdes seios maturescentes
o desejo brilhando nos olhos
de tuas meninas em flor como botões
de rosas desabrochando.
Não te louvo
eu te canto
oh fêmea feita de sol, suor e sexo
da praça feita de conversas
amigos, conhecidos e compadres
namorados, casados e amantes
e de becos desvairados.
eu canto
os teus bêbados anônimos
os que se perderam na noite dos esquecidos
transviados e ébrios de amor.
eu canto
os teus poetas
os teus artistas
os homens que dignificou e enobreceu a cidade.
eu canto
o povo pobre e humilde.
Não serei o teu poeta oficial
serei o poeta que te ama
abro a porta da cidade
me guardo em ti porque a ti te amo
sou poeta civil
cais de ventania
em tempos de tempestade
eu te amo.
O TREM
O trem
já não mais apita
anunciando
sua chegada ou partida.
O trem
já não vem mais
na estrada sintuosa
como serpente venenosa
em suas curvas sinuosas,
os trilhos tremendo o chão.
O trem
já não parte e nem chega,
nem de alegria e nem de tristeza.
O trem
não tem partida e não tem chegada:
ninguém parte com o coração partido,
e ninguém fica com ele cheio de dor..
Acabou-se, a despedida
nada mais existe
nem mesmo a saudade
dos que partem ou dos que ficam.
O trem
não vem.
O trem
não vai.
O trem
é apenas um substantivo
que adjetivou-se no linguajar de todos.
A MULHER DE JABOTICABAL
No translúcido olhar da mulher
perfume pétala flor
não se vê o coração, o amor...
Mas a beleza, o brilho, a graça, o charme.
Variam-se as predominâncias:
- Fascinação
- Encanto
- Paixão
- Interrogações inimagináveis.
Em todas, o brilho fundamental da beleza.






































